TESTAR PARA CUIDAR

TESTAR PARA CUIDAR – PROGRAMA DE MAPEAMENTO DA COVID-19 EM SÃO CARLOS

A pandemia de COVID-19, introduzida no Brasil no início de 2020, tem tido alta morbidade na população brasileira, particularmente em grandes municípios, e em especial no Estado de São Paulo. No interior do estado, em municípios de pequeno e médio porte, o impacto tem sido diversificado.

O diagnóstico da doença por coronavírus-19, a COVID-19, depende basicamente do quadro clínico de síndrome gripal (febre associada à tosse ou dor de garganta ou coriza ou dificuldade respiratória) que pode evoluir com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), caracterizada por dispneia/desconforto respiratório ou pressão persistente no tórax ou saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada dos lábios ou rosto.

No entanto, há uma razoável percentagem de pacientes infectados por SARS-CoV-2 que se mantêm assintomáticos, estimada entre 4 e 80%. A fração de indivíduos assintomáticos parece ser inversamente proporcional à faixa etária, sendo que os idosos mais frequentemente apresentam doença manifesta e mais grave. Mesmo dentre os pacientes sintomáticos, muitos apresentam doença leve e não procuram serviço de saúde, não sendo diagnosticados.

É necessário conhecer a distribuição da prevalência da infecção no município, para melhor promover ações de orientação quanto a isolamento social e medidas preventivas na população, uma vez que os recursos de saúde não são infinitos. O teste molecular não é adequado para a realização de inquéritos epidemiológicos, uma vez que a excreção viral costuma se negativar a partir do oitavo dia.

Com esse intuito, a cidade de São Carlos será submetida a um inquérito epidemiológico. Trata-se de ação colaborativa entre a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Carlos, a UFSCar, o Hospital Universitário de São Carlos e UNIMED São Carlos, além de outros pesquisadores, estudantes e funcionários das instituições que aderirem ao projeto de forma voluntária ou em apoio. O estudo buscará a pesquisa de anticorpos contra SARS-CoV-2 em amostras probabilísticas da população urbana adulta do município de São Carlos, independentemente da presença ou ausência de sintomatologia.

Serão realizados quatro inquéritos transversais repetidos, cada qual avaliando com 1.400 indivíduos, com intervalo de 15 dias entre eles, totalizando 5.600 entrevistas e exames realizados no estudo. A análise dos dados compreenderá a caracterização do perfil epidemiológico dos sujeitos entrevistados por meio de tabelas e gráficos, bem como das estimativas pontual e intervalar das porcentagens dos casos diagnosticados.

A amostra final de residências foi selecionada de forma aleatória. Voluntários visitarão as residências escolhidas nos dias anteriores à pesquisa para informá-los da pesquisa e convidá-los a participar. Os pesquisadores estarão todos devidamente trajados com equipamentos de proteção individual, identificados com uniformes e crachás do projeto.

Segue o cronograma do projeto:

11 e 12 de junho Distribuição das senhas para a primeira etapa
13 e 14 de junho Primeira etapa de entrevistas e coleta
25 e 26 de junho Distribuição das senhas para a segunda etapa
27 e 28 de junho Segunda etapa de entrevistas e coleta
09 e 10 de julho Distribuição das senhas para a terceira etapa
11 e 12 de julho Terceira etapa de entrevistas e coleta
23 e 24 de julho Distribuição das senhas para a quarta etapa
25 e 26 de julho Quarta etapa de entrevistas e coleta

MÉTODO DE PESQUISA:

AMOSTRAGEM ALEATÓRIA ESTRATIFICADA

São Carlos tem hoje uma população estimada de quase 252 mil habitantes (251.983). Neste estudo, 5.600 pessoas, divididas em 4 etapas de 1.400 cada, deverão ser entrevistadas e passar pela coleta de exames. No questionário constam perguntas, entre outras, como profissão, escolaridade, se tem alguma doença crônica, se teve sintomas de doenças respiratórias e se ficou em isolamento nos últimos 15 dias.

A metodologia da pesquisa, o cálculo das amostras, bem como a seleção das residências foram elaborados pela Statsol, Consultoria Estatística e Pesquisa de Mercado, sob a coordenação do Prof. Dr. Jorge Oishi, que também será o responsável pela análise das informações levantadas. Além de mapear como e onde estão concentrados os casos de COVID-19, a ideia é identificar com que velocidade a doença está se propagando.

Para isso, a cidade foi dividida em 19 regiões, de acordo com as características socioeconômicas.  Em cada uma dessas regiões, foram selecionadas, por sorteio, ruas, quarteirões e, depois casas. Tudo para que o morador selecionado, fosse escolhido de forma aleatória, livre de qualquer interferência e/ou interesse. Esse método, de Amostragem Aleatória Estratificada, é o principal modelo usado por grandes Institutos de Pesquisa ao redor do mundo, inclusive o IBGE.

Esse é o maior levantamento feito no país em número de testagens por habitante. A Universidade Federal de Pelotas, por exemplo, pesquisou mais de 33 mil pessoas, de 133 cidades, uma média apenas de 250 entrevistas por município.

Com essa dimensão de amostragem, vai ser possível entender a prevalência da COVID-19 em todo o município de São Carlos, quantos porcento da população devem ter sido contaminadas pelo Coronavírus, em que regiões os casos se concentram e com quem velocidade a doença vem se propagando.

FAQ – Perguntas e respostas sobre o “TESTAR PARA CUIDAR – PROGRAMA DE MAPEAMENTO DA COVID-19 EM SÃO CARLOS”

1 – O QUE É O TESTAR PARA CUIDAR – PROGRAMA DE MAPEAMENTO DA COVID-19 EM SÃO CARLOS?

Atualmente, é o maior mapeamento de COVID-19 do Brasil em testagens por número de habitantes e o mais preciso devido ao uso dos testes sorológicos tipo Elisa. O Programa vai investigar o número de infectado pelo novo coronavírus. É uma ação colaborativa entre Santa Casa de São Carlos, a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Carlos, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Hospital Universitário (HU-UFSCar) e UNIMED São Carlos, além de contar com a participação de outros parceiros: do São Francisco, Clara Resorts, Dr. Tips e Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Biologia Molecular Ivo Ricci.

2 – POR QUE FAZER UM MAPEAMENTO EM SÃO CARLOS?

Estudos feitos por cientistas em todo o mundo mostram que, em média, 80% da população infectada não apresentam sintomas ou têm sintomas leves. Mesmo dentre os pacientes sintomáticos, muitos apresentam doença leve e não procuram serviço de saúde, não sendo diagnosticados. O objetivo do Programa Testar para Cuidar é conseguir estimar de forma mais precisa quantas pessoas foram infectadas pela doença em São Carlos, onde esses casos estão concentrados na cidade e com que velocidade a doença está se propagando. E, dessa forma, pensar em estratégias pontuais para conter a disseminação.

3 COMO O MAPEAMENTO SERÁ FEITO?

A estratégia do “TESTAR PARA CUIDAR – PROGRAMA DE MAPEAMENTO DA COVID-19 EM SÃO CARLOS” consiste em visitar, entrevistar e realizar exames em 5.600 pessoas selecionadas pelos pesquisadores para participarem do levantamento.  Quem for selecionado, irá responder um questionário, receberá uma senha para a realização do exame de sangue posteriormente para identificar se a pessoa teve ou não a COVID-19. O Programa será realizado em 4 etapas, com intervalo de 15 dias entre elas.

4 – quem poderá participar do Mapeamento?

Moradores de São Carlos, maiores de 18 anos, com ou sem sintomas de Síndrome respiratória e assinatura do termo de consentimento Livre e Esclarecido.  

5 – COMO VOU SABER SE FUI SELECIONADO?

Quem for selecionado pelos pesquisadores, vai receber uma visita e será informado sobre o procedimento do mapeamento. Também receberá uma senha com agendamento para a coleta de exame de sangue em um local próximo da sua residência. A coleta do exame de sangue será realizada aos fins de semana, em escolas e instituições localizadas em várias regiões. O teste irá identificar se a pessoa já teve ou não o Coronavírus.

6 – COMO A SELEÇÃO DE QUEM VAI PARTICIPAR DA PESQUISA FOI FEITA?

A metodologia da pesquisa, o cálculo das amostras, bem como a seleção das residências foram elaborados pela Statsol, Consultoria Estatística e Pesquisa de Mercado, sob a coordenação do Prof. Dr. Jorge Oishi, que também será o responsável pela análise das informações levantadas. A cidade foi dividida em 19 regiões, de acordo com padrões estabelecidos pelo Censo do IBGE.  Em cada uma dessas regiões, foram selecionadas, por sorteio, ruas, quarteirões e, depois casas. Tudo para que o morador selecionado fosse escolhido de forma aleatória, livre de qualquer interferência e/ou interesse. Esse método, de Amostragem Aleatória Estratificada, é o principal modelo usado por grandes Institutos de Pesquisa ao redor do mundo, inclusive o IBGE. Permite que os resultados encontrados para a amostra sejam recalculados para a população total.

7 – QUEM FOR SELECIONADO E PARTICIPAR DA PESQUISA, FICARÁ SABENDO DO RESULTADO DEPOIS?

No caso de resultado positivo sem sintomas, a pessoa será direcionada para uma avaliação médica. Os resultados de exames negativo estarão disponíveis de forma digital. Se o morador estiver com algum sintoma de Síndrome Gripal no momento da visita ou entrevista, será encaminhamento para a Unidade de Saúde mais próxima. Dependendo da gravidade dos sintomas, o encaminhamento será para o Hospital Universitário (HU-UFSCar) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

8 – Quem fará as entrevistas e coleta dos exames?

Alunos do curso de Medicina e de outras áreas da saúde da UFSCar e de outras instituições de ensino, integrantes ou não da ação “Brasil Conta Comigo”; profissionais voluntários da área da saúde do HU-UFSCar e Santa Casa farão a visita aos domicílios. Os profissionais envolvidos no levantamento usarão os equipamentos de proteção individual necessários. E estarão identificados com crachás.

9 – O que fazer em caso de dúvida sobre o pesquisador?

Em casos suspeitos, o morador pode acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153.

10 – Como será a coleta de sangue?

Os profissionais, previamente capacitados para o procedimento, executarão a coleta de 4-5 mL de sangue por punção venosa.

11 – Existe risco de contaminação da doença COVID-19 durante a visita e/ou a coleta?

Os organizadores do Mapeamento tiveram o cuidado de selecionar apenas pessoas que se declararam assintomáticos. E todos eles vão utilizar Equipamentos de Proteção Individual.

12 – Quais perguntas compoem o questionário?

O questionário englobará endereço do domicílio; variáveis demográficas; socioeconômicas (profissão, escolaridade, emprego, fonte de renda); presença de comorbidades; presença de sintomas ou antecedente de síndrome gripal ou de síndrome respiratórias aguda grave, antecedente de síndrome gripal a partir de fevereiro de 2020, grau de isolamento físico nos últimos 15 dias, entre outras.

13 – Em caso positivo, terei meus dados divulgados?

A pesquisa é sigilosa. Todas as informações coletadas serão tratadas de forma anônima e os respondentes não serão identificados, de acordo com todas as normas éticas internacionais sobre pesquisas em saúde. O resultado da pesquisa será divulgado de forma agrupada, sem identificar quem foram os casos positivos e os casos negativos. Os casos positivos serão encaminhados para a Vigilância Epidemiológica de São Carlos para que sejam adotadas as medidas necessárias.

14 – Se eu fui selecionado, sou obrigado a participar?Eu ganho alguma remuneração para participar do estudo?

Não. A participação no estudo é voluntária e não conta com nenhuma recompensa direta, mas é importante lembrar que ao participar você estará colaborando com o entendimento da situação da COVID-19 na cidade de São Carlos. Se você não tiver interesse ou não puder participar, basta avisar o voluntário que for até sua casa, para que possamos selecionar outra pessoa sem prejudicar o resultado do estudo.

15 – Quanto tempo dura o levantamento?

Em média, a entrevista dura entre 15 e 20 minutos, mais o tempo da coleta de um exame de sangue.

16 – Se eu já tive Covid-19, posso participar?

Sim. A pesquisa inclui qualquer selecionado,independentemente da história passada de doença ou sintomas atuais.

17 – Se meu resultado der positivo, corro algum risco? Estou imune para sempre?

Não. Esse teste procura anticorpos do tipo IgG, ou seja, proteínas que o corpo produz que indicam que a pessoa já teve contato com o vírus. Ainda não sabemos a relação exata entre esse resultado e a imunidade permanente.

18 – Se meu resultado for positivo, minha família precisará ser testada?

Como o resultado positivo demostra que você já teve a doença, não há necessidade de testes adicionais a não ser que alguém da sua casa ou próximo a você esteja com sintomas gripais. Essa pessoa deve então procurar a unidade de saúde mais próxima para ser avaliada por profissionais de saúde.

19 – Se eu não fui sorteado, posso participar da pesquisa também?

Não. A pesquisa foi programada para que a amostra selecionada represente toda a população. Por isso, o bairro, a rua e a casa devem seguir a metodologia do estudo.

20 – Eu preciso pagar algum valor para participar da pesquisa?

Não. A pesquisa é inteiramente financiada pelas instituições organizadoras e apoiadoras.

21 – Como eu posso receber o voluntário na minha casa de forma segura?

Os voluntários estarão devidamente uniformizados e com crachás de identificação. Todos os voluntários serão acompanhados pela equipe do “Tiro de Guerra”. Além disso, você pode entrar em contato com o 153 para checar se o voluntário está cadastrado na lista de participantes do estudo.

22 – Se eu tiver algum problema no dia da coleta e não puder comparecer, o que devo fazer?

Em caso de dúvidas, ou na impossibilidade de comparecer, entrar em contato com o Alô HU, pelo telefone 35092498, das 8h às 12h e das 13 às 17h.